As metástases ósseas que afetam a coluna vertebral são consideradas tumores malignos secundários, pois resultam de neoplasias originadas em outros órgãos, como pulmão, mama, rim ou próstata. Embora sejam as mais comuns, também existem casos em que os tumores malignos têm origem na própria coluna.
Ambas as situações podem ser tratadas com a intervenção desenvolvida pelo médico neurocirurgião Vítor Moura Gonçalves, no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa.
Técnica minimamente invasiva
A ablação tumoral percutânea por radiofrequência é uma técnica considerada pioneira por ser realizada através de uma pequena incisão na pele, conforme explica o especialista.
Inicialmente, é realizada uma biópsia da lesão. Em seguida, procede-se à ablação com a injeção de polimetilmetacrilato (cimento ósseo) no interior das vértebras afetadas, num procedimento conhecido como vertebroplastia.
Recuperação e benefícios
Esta técnica pode ser realizada em ambiente ambulatório, sem necessidade de anestesia geral, apenas com leve sedação, e não exige um longo período de recuperação.
A principal vantagem é o alívio das dores causadas pelas metástases. No entanto, os objetivos do tratamento vão além, incluindo:
- Redução do tumor antes da estabilização vertebral
- Preservação funcional e da mobilidade
- Manutenção da integridade esquelética
- Melhoria da qualidade de vida
- Redução do tempo de hospitalização
- Prevenção de complicações futuras
Impacto e relevância do tratamento
Segundo Vítor Moura Gonçalves, existem anualmente cerca de 25 mil novos potenciais doentes que poderão beneficiar deste tipo de tratamento minimamente invasivo.
Este cenário está associado ao aumento da taxa de mortalidade por tumores malignos, sendo que a maioria dos óbitos em doentes com cancro não se deve ao tumor primário, mas à sua disseminação para outras partes do corpo.