Dr. Vítor Moura Gonçalves
Médico Neurocirurgião, especialista em doenças da coluna vertebral
Hospital Garcia de Orta, Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Almada
“As doenças da coluna vertebral podem ter um efeito devastador na qualidade de vida, causando dor e incapacidade, limitação de movimentos e impotência funcional.”
Doenças da coluna vertebral e o seu impacto na qualidade de vida dos doentes
A coluna vertebral constitui o eixo central do corpo. É composta por 33 vértebras, cuja função primordial é suportar o peso do corpo e proteger a medula espinhal e os nervos raquidianos. As vértebras estão unidas por articulações que permitem a mobilidade do corpo. Estão separadas pelos discos intervertebrais, que funcionam como amortecedores, absorvendo ondas de choque e pressão exercidas sobre o corpo e garantindo a flexibilidade da coluna vertebral. Os músculos paravertebrais e os ligamentos inserem-se nas vértebras, desde a região occipital até ao cóccix, e têm como função sustentar a coluna na posição correta.
As doenças da coluna vertebral podem ter um efeito devastador na qualidade de vida, causando dor e incapacidade, limitação de movimentos e impotência funcional. Podem impossibilitar a realização de atividades diárias básicas, afetar o rendimento profissional, as relações interpessoais, o desempenho sexual e o padrão do sono, podendo provocar défices neurológicos graves.
Estão identificados alguns fatores de risco que potenciam o desgaste da coluna, o aparecimento de dor e das doenças vertebro-medulares. Alguns são modificáveis, podendo ser evitados e tratados, tais como o sedentarismo, o excesso de peso, a adoção de posições e movimentos incorretos e o tabagismo. Como fatores de risco não modificáveis destacam-se a idade avançada e os defeitos congénitos. Estas agressões levam ao desgaste dos discos intervertebrais, aparecimento de artroses e formação de esporões ósseos, originando dor, rigidez, diminuição da flexibilidade, alterações da sensibilidade e falta de força. As lesões vertebro-medulares por traumatismo são frequentes e resultam de quedas, acidentes de viação, prática desportiva ou traumatismos menores em doentes com osteoporose ou osteopenia.
Queixas como dor persistente na coluna vertebral, com ou sem irradiação, diminuição da força muscular nos membros, dormência ou formigueiro, sensação de pernas pesadas ou câimbras, dificuldade na marcha ou na elevação dos braços, perda da destreza manual, impotência funcional, alterações urinárias ou dificuldade na micção, deverão motivar a observação por um neurocirurgião especialista em coluna.
Para prevenir as dores na coluna e minimizar a degenerescência própria do envelhecimento, deverão manter-se um estilo de vida saudável, adotar uma postura correta, carregar pesos de forma equilibrada, evitar sobrecargas com pesos excessivos, ter um peso adequado e fazer exercício físico regular.
O diagnóstico das doenças de coluna depende de uma avaliação médica completa com particular atenção à história clínica e caracterização rigorosa das queixas do doente. É essencial um exame clínico detalhado, incluindo a execução de testes específicos para avaliar a necessidade de realizar exames complementares de diagnóstico.
A cirurgia de coluna é uma opção terapêutica válida e segura quando existe compressão das raízes nervosas ou da medula, quando a dor não está controlada com o tratamento médico, quando existe défice neurológico e impotência funcional ou na presença de fraturas, tumores, infeções ou malformações. A progressão científica e os avanços tecnológicos, associados à medicina baseada na evidência, oferecem à cirurgia da coluna atual padrões de elevada segurança e eficácia.
As mais recentes técnicas cirúrgicas minimamente invasivas permitem desmistificar os riscos em torno do procedimento e otimizar a recuperação dos doentes, com vantagens substanciais, nomeadamente: menos dor pós-operatória, menos perdas sanguíneas, menor risco de infeção, preservação da anatomia funcional, melhor efeito estético, menor tempo de recuperação, períodos de internamento mais reduzidos e regresso mais rápido à vida normal.